sábado, 28 de janeiro de 2012

[Retrospectiva da Graduação] Capítulo 8: 2009.1 (16/02/2009 – 03/08/2009)



Músicas:
1. Oceans - Pearl Jam
2. Platform 23 - The Free Association (Trilha sonora de Código 46)
3. Tales of Brave Ulysses - Cream
4. I'll Make Love To You Anytime - Eric Clapton
5. The Jody Grind - Horace Silver
6. Oh! Oh! Here He Comes! - Herbie Hancock


§1. Volta às aulas no segundo período em matemática

Em 16/02/2009, fui cedinho a Caruaru para fazer a prova teórica do DETRAN. Apesar de ter estudado pouco, consegui ser aprovado. De lá, peguei uma moto-taxi para a rodoviária e então fui de ônibus ao Recife.

Figura 1: Painel, no DETRAN, mostrando as fichas sendo chamadas para realização da prova teórica, em 16/02/2009 às 8h40min. 

O meu plano para os primeiros dias do período era: organizar tudo até o dia 20 (assistir aulas, buscar informações sobre disciplinas, fazer modificações de matrícula, pegar livros na biblioteca, organizar as coisas no apartamento, etc.) e estudar pesado a partir do sábado de carnaval (21 de fevereiro). Decidi me matricular em
  • Cálculo Diferencial e Integral 3;
  • Física Geral 3;
  • Álgebra 1;
  • Física Experimental 1;
  • Tópicos de Geometria Elementar (do curso de licenciatura em matemática);
  • Estatística e Probabilidades (do curso de licenciatura em matematica).
Essas duas últimas cadeiras me serviriam como eletivas livres (classe de disciplinas que eu poderia usar para completar no máximo 180h da minha carga horária). Peguei vários livros, incluindo dois de álgebra, para estudar durante o carnaval (anunciei até que faria um "Galois na Madrugada"), mas tinha tanta coisa para organizar no apartamento, que não pude fazer mais nada.

Odair, agora ganhando bolsa de mestrado, tinha comprado um notebook e determinou que o PC, que antes compartilhávamos na sala, fosse para o meu quarto. Tive que fazer um reposicionamento geral dos móveis, aí aproveitei para dedetiza-los contra cupins (pois eles já estavam sendo corroídos) e limpa-los. Também organizei arquivos salvos no computador, enviando parte deles para o meu e-mail como prevenção contra uma eventual pane no HD (foi através disso que consegui preservar muitas das fotografias e textos que estou utilizando nesta retrospectiva).

Eu pretendia continuar malhando durante o semestre letivo, nos primeiros dias até levantei uns pesinhos em casa, mas terminei perdendo a rotina. Em Recife, era mais difícil encontrar tempo para fazer exercícios físicos e cuidar da alimentação (até pelo fato de ser eu quem preparava minha própria comida). E também não seria uma boa ideia gastar dinheiro com academia.


§2. Restrições orçamentárias

A regra para os próximos meses, ou anos, era: economizar dinheiro ao máximo. Quando voltei de Cupira para Recife, no fim das férias, meu pai já tinha dividido com uma parede o mercado dele (em funcionamento há 30 anos) e estava prestes a fecha-lo temporariamente para reforma e em seguida alugar sua maior parte. Ele vinha pensando em fazer isso há muito tempo, e assim que apareceu alguém querendo negociar, ele topou. Foi uma decisão um tanto precipitada, ninguém da família (fora ele) aprovou. O objetivo era sair do estresse da vida de comerciante, ficar só com uma parte do prédio e montar nela uma pequena mercearia. Mas a reforma levaria meses, e a burocracia para registrar os dois novos estabelecimentos demoraria ainda mais. Durante esse tempo, meus pais não trabalhariam, exceto administrando a transição (ele) e cuidando da casa (ela); ou seja, receita zero. Além disso, meu pai agora iria viajar bem menos ao Recife e, portanto, não poderia passar tão frequentemente no nosso apartamento para deixar comida e produtos de limpeza, como costumava fazer.

Figura 2: Interior do Supermercado Estrela (nome fantasia do mercado do meu pai), em 12/02/2009.
Figura 3: Frente do Supermercado Estrela, em 12/02/2009. Note, ao fundo, a parede recém-construída, ainda a ser pintada.
Figura 4: Minha mãe trabalhando no caixa, em 12/02/2009.

Minha mãe, que sempre me dava um dinheirinho para cobrir os meus gastos em Recife, agora não tinha mais acesso ao caixa. O dinheiro poderia vir diretamente do meu pai, mas nesse caso a burocracia seria maior. Se eu estivesse realmente precisando de algo, eles me dariam, porém: 1) é meio chato ficar pedindo; 2) a propriedade "estar realmente precisando de" não é muito bem definida. Se tem fubá, sardinha, soja e sopão no armário, tem comida. Mas a experiência na universidade mostra que você não deveria ter que se preocupar em preparar comida, lavar pratos e panelas, ficar indo em casa direto só para comer, etc. Além disso, comer sopa com soja, ou cuscuz com sardinha, direto, não é algo muito prazeroso. (Meu cardápio era um pouco mais variado do que isso.)


§3. Cadeiras da licenciatura e Física Experimental 1

Nas noites de terça e quinta, eu tinha aulas de Tópicos de Geometria Elementar (TGE) e Estatísica e Probabilidades. Eu achei o curso de TGE bem interessante, dava uma boa noção de como funciona o método axiomático em matemática. Estudamos sistemas axiomáticos diversos, dos mais simples aos mais complexos, e (brevemente) a consistência ou não de uns com outros. A disciplina teve várias provas (no sentido de testes, exames): as primeiras foram normais a levemente difíceis, as outras foram cada vez mais fáceis. Estatística foi mais leve e bem menos interessante, eu ia a poucas aulas e sempre procurava gastar o tempo resolvendo questões, sem prestar atenção nas aulas. Mas até que eu gostei de estudar o assunto, por livros. Comecei a ler o Introduction to Probability Theory and Statistical Inference. Pena que depois, por falta de tempo, tive que recorrer a materiais mais resumidos.

A grande vantagem em estar pagando essas cadeiras era que eram fáceis e apesar de cada uma delas ter, burocraticamente, 60h de carga horária (o que equivale a 4h de aula por semana), na prática, só tínhamos 3h de aula de cada disciplina por semana (isso sem descontar as faltas dos professores).

Outra cadeira tranquila era Física Experimental 1. O professor era novato nessa disciplina, não se preocupava com detalhes, encerrava a aula mais cedo, etc. Tudo o que tínhamos que fazer era ir às aulas, executar os experimentos (que eram até interessantes, ao contrário do que pessoas que já tinham pago a disciplina comentavam), preencher e entregar os relatórios. Minhas notas ficavam entre as maiores da turma.


§4. Álgebra 1 (de novo)

O professor de Álgebra 1 não era mais o mesmo de 2008.1, era outro mais exigente. O primeiro mês do curso foi todo dedicado aos fundamentos da matemática (noções de lógica e teoria axiomática dos conjuntos) e a bibliografia recomendada pelo professor, só para essas preliminares, consistia em uns dez livros. É claro que eu não iria correr atrás desses dez livros, então tive que escolher um de minha preferência. Como em 2008.2 eu tinha começado a ler o livro Introduction to Set Theory, de Hrbacek e Jech, voltei a usa-lo.

Um exemplo típico de situações imprevisíveis que costumam me atrapalhar: Passei a madrugada entre os dias 28 e 29 de março tentando dormir, mas amanheceu o dia e, não sei por que, eu ainda estava acordado. Já que eu não estava tendo sono de jeito nenhum, peguei o Hrbacek/Jech e fui para o laguinho, tentar estudar lá, conforme havia programado no dia anterior. Quando cheguei, sentei, abri o livro, comecei a ler e em menos de 10min, deu sono; muito sono. Voltei para casa depressa. Mal deu tempo de tomar banho e cair na cama: dormi instantaneamente.

Quando começamos a ver o assunto de álgebra mesmo, a abordagem adotada pelo professor foi predominantemente a do Adilson, o livro que eu não gostava de usar. Nas férias, eu tinha estudado álgebra mas tinham sido assuntos totalmente diferentes, pelo Gallian (Contemporary Abstract Algebra).

Nota matemática #7 - Coeficientes Binomiais e Divisibilidade

Figura 5: Tabela que fiz provavelmente em abril de 2009 mostrando coeficientes binomiais com destaques vermelhos para indicar aqueles da forma p!/i!(p-i)! ou q!/i!(q-i)!, onde p e q denotam, respectivamente,  um número primo arbitrário e uma potência de um primo arbitrária (no primeiro caso, o destaque é mais escuro). O objetivo era estudar a fatoração primária dos coeficientes binomiais destacados.

As questões que caiam nas provas de Álgebra 1 eram fáceis se você já as tivesse feito como exercício; mas se fosse tentar ter a ideia na hora da prova, faltaria tempo para fazer as outras questões. Para mim, as provas sempre pareciam muito compridas. Eu não tinha tempo para fazer todos os exercícios sugeridos pelo professor antes da prova, e eu prefiro me preocupar com o assunto em si do que com o problema "Que questão deve cair na prova?". Além disso, quando faço demonstrações, costumo me preocupar com o formalismo, a clareza, estética, organização e simplicidade. Isso geralmente me prejudica em termos de nota. A primeira questão da primeira prova de Álgebra 1 (realizada em 07/04/2009) pedia para provar a associatividade da soma nos números naturais. Eu botei logo três quantificadores universais, um para cada variável, e tentei fazer uma indução tripla. Naturalmente, eu me enrolei, perdi tempo e acabei deixando várias outras questões em branco.


§5. Monitoria e iniciação científica

No segundo período, já era hora de tentar arrumar uma bolsa de monitoria ou de IC. Eu tinha deixado meu histórico na secretaria para me candidatar a monitor (de cadeiras da Área 2), mas a única nota acima de 9,0 que eu tinha tirado em cadeiras da Área 2 (Geometria Analítica) estava registrada no histórico de ciência da computação, que eu não podia usar para a seleção de monitoria porque eu tinha reprovações nele. Então optei por Cálculo 2 ou Álgebra Linear 1, mas os meus concorrentes tinham notas melhores do que as minhas nessas cadeiras e eu terminei não sendo chamado.

Se as notas das cadeiras nas quais eu havia sido dispensado (entre as quais estão o 9,83 em Geometria Analítica) não podiam me ajudar, provavelmente elas também não podiam me atrapalhar. Então eu não precisava ter me preocupado em não pedir dispensa para disciplinas nas quais eu não tinha ido muito bem. O importante mesmo era passar com 10 (ou quase isso) em alguma cadeira, estando já no curso de matemática. Gabriel, que tinha vindo da física mas preferiu não pedir dispensa e pagar tudo de novo, conseguiu bolsa de monitoria. Edgar e Ricardo, que nunca tinham estado num curso universitário antes, também conseguiram.

Em 04/04/2011, mandei um e-mail para o professor de Álgebra 1 dizendo:
Professor, preciso de um orientador pra iniciação científica até o dia 15/04. O que é que eu faço?

Grato,
João Alves Silva Júnior

Ele simplesmente não respondeu, nem falou comigo sobre isso depois. Apenas ficou soltando indiretas, do tipo: "Na prova, deixa a questão em branco. Aí depois, diz: Aah, isso agora eu não sei, mas vou saber na IC. Né verdade? Éééé. Então, senhoras e senhores, voltando ao tema...". Eu só queria uma dica! Tipo: "Fale com tal pessoa, levando o histórico, que eu ouvi dizer que ela estava procurando alunos para orientar", ou então "Lamento, não sei", ou pelo menos "Te vira, cara".


§6. Risco de ir para a final

Minhas duas primeiras notas de Física 3 foram boas, principalmente por eu já ter estudado aqueles assuntos no primeiro semestre de 2008. Mas o assunto da terceira unidade estava muito difícil, e a escassez de tempo, devido às outras cadeiras, piorava ainda mais a situação. Em Cálculo 3, eu também comecei bem, mas me dei mal na segunda prova e fiquei precisando tirar 8,5 na terceira unidade para passar por média. Para completar o quadro, em Álgebra 1, eu já estava com medo de ser reprovado: tirei 5,7 na primeira prova, 4,0 na segunda, e não fazia ideia de como iria entender o assunto da terceira unidade.

Alguma coisa estava indo muito errado, mas eu não sabia exatamente o que era. Às vezes eu achava que a presença do computador no meu quarto, na mesma mesa que eu usava para estudar, não estava colaborando com a minha concentração. De fato, eu gastava horas na internet: orkut, msn, youtube, etc. Chegou um momento em que eu tentei não ligar mais o computador, para nada. Mas logo vi que essa restrição me atrapalharia mais do que o uso exagerado da internet: até o orkut e o msn eram extremamente úteis desde que devidamente utilizados.

Além de tempo, faltavam-me dinheiro e um pouco de motivação, também. Minha vida estava um bocado sem graça: só problemas, preocupações e correria. Eu precisava de estabilidade, paz para estudar tranquilo. Alguma mudança profunda precisava acontecer, não só na maneira como eu estava encarando meus compromissos acadêmicos, mas também nos recursos que eu dispunha para cumpri-los.


§7. Aulas particulares

Uma dia, em 2008.2, Bob comentou comigo que estava negociando umas aulas particulares. Meses depois, um cara da licenciatura, que pagava TGE e Estatística comigo, me contou que ele já ensinava, e me perguntou se eu também dava aulas. Aí eu ficava pensando: "Eu podia dar aulas particulares, mas como é que eu faço pra arrumar alunos?". Pelo que eu lembro, antes de 2009, eu já tinha pesquisado no Google uma vez, mas não encontrei nenhuma oportunidade. Numa das primeiras noites juninas de 2009, andando sozinho pelas ruas do Engenho do Meio, eu pensei: "Não é possível, há milhares de pessoas precisando de ajuda em matemática nessa cidade! É melhor eu pesquisar novamente". Dessa vez, encontrei um anúncio (publicado um dia antes no site OLX) de uma moça que precisava urgentemente de aulas sobre funções. Imediatamente respondi dizendo que eu poderia ensina-la.

Em 04/06/2009, ela entrou em contato comigo por e-mail pedindo que eu ligasse para ela, mas eu estava sem crédito. Quando consegui ligar, ela perguntou quanto eu cobraria pelas aulas. Aí eu precisei de tempo para pensar; fiquei de dar a resposta depois. Eu queria cobrar um preço justo, e eu gostava de ensinar (mesmo de graça), então achei que passar algumas horas ganhando pouco dinheiro para falar de matemática seria muito mais útil do que passar o mesmo tempo no orkut e msn (atividade que eu praticava bastante). Cheguei a pensar em cobrar R$ 3,50 pela hora-aula, fora gastos de transporte (tempo de viagem + valor da passagem de ônibus até o local). Pesquisei no Google sobre quanto cobrar, vi algumas sugestões de preço, mas achei que eram muito caras. Terminei cobrando R$ 5,00 por cada hora de aula, mais R$ 7,00 pela viagem de ida e volta entre minha casa e a Faculdade São Miguel (onde seriam dadas as aulas), no bairro da Boa Vista, que é próximo ao centro do Recife. Ela aceitou, ficou muito agradecida e quis combinar logo um pacote de 4 aulas, em dias diferentes (isso confirmava que eu tinha cobrado muito barato).

Dei a primeira aula em 06/06/2009: das 8h30min às 13h30min ensinando funções. Eu estava tão entusiasmado com essa minha primeira oportunidade profissional que nem senti o tempo passando. No final, recebi meus R$ 32,00, peguei o ônibus na parada e fui para casa feliz, ouvindo jazz. "Nada como passear pelo Recife de ônibus, num sábado, para conversar sobre matemática e ainda ganhar dinheiro!", eu pensava. Antes de começar a dar aulas, eu quase nunca saía de casa, a não ser para ir à universidade, fazer compras ou viajar para Cupira. O dinheiro que eu ganhei naquela manhã era o que minha mãe me dava de vez em quando, para passar duas ou três semanas (considerando que muitas coisas não precisávamos comprar, pois vinham de Cupira, essa quantia dava para o essencial; e se precisasse de mais, minha mãe me fornecia). Um horizonte de possibilidades se abria em minha frente. Fiquei estimando quanto eu poderia ganhar por mês dando aulas daquele jeito, se eu fosse arrumando mais clientes.

A segunda aula foi marcada para o dia 11/06/2009, às 19h, e depois adiada para o dia seguinte, no mesmo horário. Em 12/06/2009, umas 17h40min, eu fui esperar o ônibus Cidade Universitária na parada próxima à reitoria da UFPE (Fig. 6). Antes de anoitecer, eu vi dois rapazes se aproximando e olhando para mim. Quando estavam a cerca de dois metros de distância, um deles disse: "É um assalto. Celular e dinheiro" (sem mostrar arma). Até aí, eu não tive medo, fiquei pensando no que fazer. Perguntei: "E se eu não der?". Responderam, pondo a mão na cintura fingindo que estavam armados: "Boooora, boy, reaja não! Quer levar um tiro, é?". E já foram botando a mão no meu bolso e retirando o celular. Eu ainda estava lembrado da ordem "celular E DINHEIRO", então peguei a carteira e tirei R$ 7,00. Um deles disse: "Mais". Eu: "Tenho não" (na verdade eu tinha, mas estava escondido e eu nem lembrei que tinha). Nessa hora, eles saíram de perto de mim para assaltar um casal que ia chegando. Mas eu não tinha me dado por vencido, achava que as coisas não poderiam ficar daquele jeito.

Figura 6: A parada de ônibus de que o texto fala fica no local marcado com um X vermelho, na foto acima (tirada em dezembro de 2011). 

Fui atrás deles para buscar meu celular. Então percebi um terceiro elemento, sentado numa bicicleta estacionada no meio-fio: "Ei, boy, vai pra onde? Volta". Esse podia estar armado, e eu nem tinha notado ele antes. Minhas pernas já estavam meio bambas, de nervosismo. Passou uma viatura da PRF bem perto do local, eu pensei em acenar, mas o carro estava em velocidade um pouco alta e eu achei que só os assaltantes iriam notar meu pedido de ajuda. Fiquei torcendo para que os policiais percebessem algo de estranho ali, mas eles passaram direto. Game over, fiquei sem meu celular. Pela primeira vez na vida, eu havia sido assaltado. Voltei para casa, liguei para a aluna avisando que eu iria chegar mais tarde, peguei mais dinheiro (para repor os R$ 7,00 que dei aos bandidos) e fui dar aula.

Ainda no mês de junho, dei outras duas aulas a essa mesma aluna e respondi umas questões para outra mulher, que tinha entrado em contato comigo através de um anúncio que eu tinha publicado no OLX.


§8. Provas finais, pela primeira vez em matemática

Minha situação ao final do período (pelo menos em três das seis cadeiras que eu estava pagando) era periquitante. Na terceira unidade, fiz a prova de Cálculo 3 sem saber de quase nada: precisando tirar 8,5 para passar por média, tirei 3,5. As terceiras provas de Física 3 e Álgebra 1, eu faltei. Pedi segunda chamada para física, inventando uma história sobre imprevistos de viagem. Por sorte, concederam a segunda chamada a todos que haviam solicitado. Pedir segunda chamada para disciplinas do ciclo profissional em geral é mais difícil, precisa passar por algumas burocracias. Por isso, eu já estava conformado em reprovar Álgebra 1.

Na manhã de 17/06/2009, fiz a segunda chamada de Física 3. Como eu ainda não sabia nada do assunto da terceira unidade, só pude tentar fazer duas das três questões da prova: uma valia 3,5 e a outra valia 3,0. Eu só precisava tirar 3,8 para passar por média, mas as questões eram meio difíceis, eu errei algumas contas e fiquei dependendo da boa vontade do professor. Naquele mesmo dia, depois da prova, fui com os meninos para uma confraternização na casa de Thiago. Durante a volta, num ônibus, comentei com Edgar sobre a conjectura dos diagramas de Venn formados por curvas fechadas simples de interior convexo (ver nota matemática #5, no Cap. 7, §2) e disse que havia encontrado um contra-exemplo, com retângulos (Fig. 7).

Figura 7: Um diagrama de Venn formado por quatro retângulos, provando que existem diagramas de Venn formados por quatro ou mais curvas fechadas simples de interior convexo.

A segunda chamada de Álgebra 1 foi marcada para 23/06/2009. Nesse dia, apesar de eu nem ter solicitado fazer a prova, decidi arriscar e comparecer à sala de aula na hora em que seria realizada. Cheguei lá, não vi ninguém, então fui procurar o professor em seu gabinete. Bati na porta... Ele: "Eeentra". Abri a porta... Ele, antes que eu falasse qualquer coisa: "Sala 209". "Ok!", pensei. Fui à sala 209 e esperei começar a prova junto com outras 5 ou 6 pessoas. Quando comecei a responde-la, vi que não estava muito difícil. Já surgia uma esperança de passar. Mas eu certamente iria para a final. Mais ou menos por esses dias, a nota da segunda chamada de Física 3 foi publicada: aprovado por média!

Em 29/06/2009, fiz a final de Cálculo 3. Eu precisava tirar 4,66 e não fui muito bem, mas o professor deve ter me dado alguns décimos e eu terminei sendo aprovado; fiquei com média 5,16. No dia seguinte, fiz a final de Álgebra 1. Provavelmente, o resultado de Cálculo 3 saiu antes do de Álgebra 1. Em TGE, Física Experimental e Estatística, eu já havia sido aprovado, por média e com notas boas. Só faltava passar em Álgebra 1, para ir para Cupira feliz. Então, no meu acesso de número 666 ao Siga, vi o resultado: aprovado. (Que fique bem claro: eu não tenho pacto com o demônio.)

Sobrevivi, mais uma vez, pagando 6 cadeiras de uma vez em matemática. Mas a brincadeira havia ido longe demais. Meu histórico escolar já estava bagunçado. Eu não podia continuar levando o curso daquela maneira. Comecei a achar que só deveria pagar três cadeiras no terceiro período, para dar uma estabilizada. Aí eu estudaria sozinho os assuntos de outras disciplinas para que no quarto período eu já pudesse pagar quatro cadeiras, e assim por diante. Comentei isso com Gabriel, ele disse: "Pague cinco, véi. Três é muito pouco. Queres ficar fazendo o que em casa, assistindo porn o dia todo?". Era uma opinião aparentemente sem fundamento, mas eu tinha que levar em consideração. Afinal, o importante era concluir o curso, e quanto mais cadeiras eu pagasse por período (ainda que por meio de atitudes imediatistas e correndo altos riscos de ser reprovado), mais rápido eu me formaria. A ideia de tentar me formar em dois anos e meio era tentadora.


§9. Sophismata

Nas férias, fiz planos para consolidar minhas atividades de ensino. Eu já sabia onde anunciar, só faltava um nome, um logotipo e algumas estratégias de marketing. Pensei logo no nome "Sophismata". Essa palavra eu conhecia desde 2007, quando eu estava procurando um nickname para colocar numa conta do Skype (serviço de comunicação via internet que, até hoje, eu nunca usei). Eu havia tentado "matemático", "mathematician", "lógico", "logician", mas todos esses nicknames já estavam sendo usados por outras pessoas. Então procurei na internet um tradutor online (acho que eu nem sabia que existia a ferramenta de idiomas do Google) e traduzi a palavra "logician" do inglês para o grego. O resultado que saiu foi: "sophismata". Aí passei a acreditar que "sophismata" era "lógico" ("logician") em grego. (Mas não é.)

Passei o mês de julho praticamente todo em Cupira, tendo aulas práticas de carro e moto (através da autoescola, pelo processo de habilitação iniciado no final de 2008) e estudando um pouco de... nem lembro mais o que (foi pouco mesmo). Antes de voltar para Recife, elaborei um logotipo, criei uma conta de e-mail e um blog para a Sophismata Aulas Particulares de Matemática. Também imprimi alguns anúncios para colar nos murais da UFPE e onde mais eu achasse apropriado.

Figura 8: Primeiro logotipo da Sophismata Aulas Particulares de Matemática.



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sábado, 21 de janeiro de 2012

[Retrospectiva da Graduação] Capítulo 7: Férias 2008-2009 (04/12/2008 – 15/02/2009)



Músicas:
1. Those Were the Days - Cream;
2. Hide Away - John Mayall and the Bluesbreakers (with Eric Clapton);
3. See that My Grave Is Kept Clean - B.B. King;
4. Sealings - Yeah Yeah Yeahs;
5. Razorblade - Strokes;



§1. Descansando

Poucas vezes eu me senti tão digno de descanso quanto nas férias 2008-2009. Uma das primeiras coisas que fiz quando cheguei em Cupira foi falar com o rapaz da academia (não existe só uma; estou me referindo à que eu já tinha frequentado em 2005) para malhar lá. Todo dia, eu ia à tarde e passava cerca de 1,5h lá, malhando. Além disso, às vezes eu corria. Em 25/12/2008, eu e Odair corremos cerca de 16km, pela BR104, ao entardecer; na volta, já estava tudo escuro (não façam isso em casa).

Figura 1: Foto tirada na casa de Amanda Tabosa, em 27/12/2008, quando fizemos uma pequena reunião da nossa turma do 2º ano do ensino médio.


§2. Questões de análise e diagramas de Venn

Na primeira metade de dezembro, eu estudei na garagem atrás de casa (ver Fig. 3 do Cap. 4) e fiz alguns exercícios sobre conjuntos, do livro Um Curso de Análise, do Elon.

Nota matemática #5 - Diagramas de Venn, uma Introdução


§3. Arrumando o quartinho

Apesar de tranquila, a garagem não era um lugar muito bom para ficar estudando: rodeada por um ambiente selvagem com pouca iluminação, era chato ter que ficar indo em casa e voltando para ela sempre que precisasse tomar água, ir ao banheiro, etc (isso sem falar das muriçocas que de vez em quando apareciam). Em meados de dezembro, a garagem estava menos apropriada do que o normal, para uso estudantil: cheia de carros, carroças, estrume... e frequentemente aparecia trabalhadores lá. Havia um lugar potencialmente melhor do que a garagem, mas estava todo bagunçado, ocupado por panelas velhas, aparelhos eletrônicos não mais utilizados, muitas caixas de papelão e uma grande papelada, incluindo livros, revistas, cadernos, provas e exercícios escolares. Era o quartinho do quintal (teoricamente, um quartinho de empregada; na prática, era o lugar onde se guardava coisas velhas).

Cerca de duas semanas antes do revellion, eu comecei a organizar o quartinho. Sempre ouvindo músicas pelo mp5 de Odair (que ele não costumava usar), com uma camisa cobrindo a boca e o nariz (para não aspirar poeira e ácaros), tirei toda a bagunça, espalhei pelo quintal, e comecei a limpar e classificar os livros e revistas, pondo em caixas novas. Boa parte das coisas que tirei do quartinho foram para o lixo; outras, depois de organizadas, eu levei para a garagem. Foram 15 dias de trabalho pesado. No final, minha mãe me ajudou com a limpeza e em 02/01/2009, o quartinho já estava pronto para uso.

Figura 2: Eu, no quartinho, em 03/01/2009.


§4. Ouvindo blues em Santa Cruz

Em 05/01/2009, eu fui para Caruaru de lotação e de lá peguei uma Rural em direção a Santa Cruz do Capibaribe, onde faria o exame psicotécnico para tirar a carteira de habilitação. Eu já tinha feito o exame de vista; faltava apenas ser aprovado no psicotécnico para começar a ter aulas teóricas e práticas na autoescola e posteriormente fazer as provas do DETRAN.

Deve ter sido a primeira e única (até agora) vez que eu andei numa Rural. A porta não parecia muito segura; não tinha vidro na janela e no lugar da maçaneta, tinha um ferro exposto, enganchado em outro. Fui ouvindo blues, pelo mp5 (naquele tempo, eu vivia usando fone de ouvido). Eu não conhecia nada sobre a cidade, só sabia que o consultório para onde eu tinha sido encaminhado ficava perto de um determinado banco (Bradesco, se eu não me engano), e tinha o endereço em mãos. Saí perguntando ao povo e até que não foi muito difícil encontrar o lugar.

Desci da Rural, ainda ouvindo blues, entrei no consultório, falei com a atendente e fiquei esperando a minha vez. Quando me chamaram, entrei na sala para fazer o teste de Q.I., comecei a responde-lo e só depois percebi que eu ainda estava com os fones, ouvindo blues. Fazer o que? Continuei ouvindo blues. Só no teste de coordenação motora, quando eu notei que os fones estavam dificultando minha compreensão das instruções da psicóloga, foi que eu retirei os fones.

Voltei para Caruaru novamente numa Rural, ouvindo blues; mas dessa vez, fui na mala (Figs. 3, 4 e 5). Chegando em Caruaru, fui direto para Cupira. Quando contei a história dos fones de ouvido a Odair, ele disse, com toda certeza, que eu seria reprovado no teste psicotécnico por conta disso. Mas um dia e meio depois, eu liguei para o consultório e me informaram que eu tinha passado no teste. Maravilha, posso dizer que eu não sou doido.

Figura 3: Eu e meu fone de ouvido, na mala da Rural, voltando de Santa Cruz.
Figura 4: Eu, mais uma vez, dentro da Rural, voltando de Santa Cruz. O meio rosto aparecendo na foto é de um desconhecido.
Figura 5: A mesma situação, por outro ângulo (mais privilegiado), mostrando agora pelo menos dois desconhecidos ao meu lado.


 §6. Álgebra abstrata, eletromagnetismo e leis de trânsito


Passei o restante do mês de janeiro editando (pelo Adobe Professional) e classificando e-books, malhando, vadiando, assistindo episódios gravados da série Cosmos (de Carl Sagan), estudando álgebra e pequenas porções de outros assuntos, incluindo leis de trânsito e algumas outras coisas cobradas pelo DETRAN. Tive aulas teóricas na autoescola.

Nessa época, fiz exercícios e anotações sobre teoremas do Contemporary Abstract Algebra, livro que eu já havia usado em 2008.1. Tenho essas notas até hoje (Fig. 6): 20 páginas de teoremas e suas demonstrações, sobre grupos (tudo até grupos cíclicos).

Figura 6: Trecho das notas de álgebra que fiz em janeiro/fevereiro de 2008.

Em fevereiro, passei a me preocupar mais com Física 3 e com os assuntos cobrados pelo DETRAN. Também tive aulas práticas de carro e moto. Não consegui adiantar muita coisa de física e dificilmente eu tinha paciência para estudar a apostila de trânsito. A prova teórica do DETRAN ficou marcada para o mesmo dia do início das aulas na UFPE: 16 de fevereiro.


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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

[Retrospectiva da Graduação] Capítulo 6: 2008.2 (04/08/2008 – 03/12/2008)



Músicas:
1. Chão - Skank;
2. Reelin' in the Years - Steely Dan;
3. Green River - Creedence Clearwater Revival;
4. Busindre Reel - Sabah Ali;
5. Crockett's Theme - Jan Hammer.


§1. Disciplinas do primeiro período em matemática

Ao contrário de antes, quando eu estava solicitando cadeiras do bacharelado em matemática pelo curso de ciência da computação, em 2008.2 eu passei a ter prioridade na matrícula das disciplinas que eu queria cursar. Então eu não precisava mais ficar pagando só duas ou três cadeiras por período. E eu realmente queria dar uma acelerada na minha vida acadêmica, para poder me formar o mais rápido possível.

Logo nos primeiros dias de aula, pedi dispensa de Cálculo 1, Geometria Analítica, Geometria Gráfica e Física 2. A dispensa daquelas duas primeiras me possibilitou me matricular em Cálculo 2 e Álgebra Linear 1. Além dessas duas, eu deveria pagar Física Geral 1 e Programação 1 com o pessoal que tinha entrado comigo em matemática. Até aí, o total é de 4 cadeiras. Achei pouco. Fiquei pensando em inserir algumas cadeiras eletivas (opcionais) na minha grade de horário, para ganhar carga horária. A primeira ideia que tive foi pagar Química 1. Falei com Gabriel (que tinha vindo da física, então já tinha alguma experiência na Área II), ele disse:
– Pague Química 2, é tranquilo.
– E Química 1 não é pré-requisito de Química 2 não? – eu falei
– Não, Química 2 só precisa de Cálculo 1.
– Mas acho que Química 1 é mais leve.
– Pague as duas.
Aí eu pensei: É, 6 cadeiras... vejo gente por aí pagando 7, 8... além do mais, eu já tenho uma boa noção de Física 1, Álgebra Linear 1 e Cálculo 2... a quantidade tá boa, dá pra levar. E assim ficou minha matrícula:

  • Cálculo Diferencial e Integral 2
  • Física Geral 1 (por não ter sido aprovado por média em 2007.1)
  • Álgebra Linear 1 (por não ter sido aprovado por média em 2007.2)
  • Programação 1.
  • Química Geral 1;
  • Química Geral 2;

Ainda no período de modificação de matrícula (04-26/08/2008), fiz matrícula vínculo em ciência da computação, só por fazer. Assim, passei a ter duplo vínculo. Se eu quisesse, poderia retomar o curso antigo, mas a cada semestre, eu só podia estar ativo em apenas um curso. A escolha era um tanto óbvia.


§2. Meu reencontro com programação

Há anos, quando eu ainda estava no primeiro período de ciência da computação, eu tinha olhado o perfil curricular do bacharelado em matemática e tinha visto lá a disciplina Programação 1, me avisando que mesmo se eu mudasse para a matemática, eu não ficaria totalmente separado da computação. Em 2008.2, chegou a hora de encarar novamente a delicada tarefa de se comunicar com máquinas.

A linguagem de programação que usaríamos, Pascal, era muito diferente de Java (a que eu tinha visto no CIn), mas alguns comandos eram praticamente os mesmos, e o melhor: Pascal não é orientada a objetos; isso faz dela uma linguagem bem mais simples (porém, bem menos útil). Mesmo assim, no início do período, eu tinha muito medo de ficar perdido, como havia ficado em IP.

Em certo momento eu tive que largar o livro, sair de perto do computador e pensar, fazendo rabiscos com lápis e papel, como se eu estivesse estudando matemática. Tentei desenvolver um algoritmo para ordenar, do menor para o maior, uma lista de inteiros dada como entrada pelo usuário; uma tarefa simples, mas que me tomou horas, talvez uma tarde inteira. E assim, eu fui pegando o jeito. Como os exercícios do livro eram trabalhosos e não muito interessantes, eu continuei inventando outros, relacionados a matemática.


§3. Sono polifásico

Decorridas duas semanas desde o início das aulas, eu ainda não estava me sentindo seguro quanto à quantidade de tempo que eu dedicava ao estudo. E eu não queria nem pensar em ir para a final, queria passar por média em todas as seis cadeiras. Então todo cuidado era pouco. O problema era: como arrumar tempo? Eu tinha ouvido falar que Leonardo Da Vinci dormia pequenas porções ao longo do dia, totalizando 4h de sono num período de 24h. Fui pesquisar isso na internet e encontrei uma lista de pessoas que tinham adotado esse padrão de sono, conhecido como sono polifásico. Pesquisei um pouco mais e encontrei orientações de como adotar o sono polifásico.

Figura 1: Foto tirada em 20/08/2008, enquanto eu caminhava em direção ao CCEN, provavelmente pensando como arranjar tempo para estudar.

Em 21/08/2008, me inscrevi no site sleepwarrior para receber um e-book com dicas sobre sono, especialmente sobre padrões não-convencionais, como algumas modalidades de polifásico, entre outros.


Figura 2: Alguns padrões de sono.


Fiquei interessado pelo everyman polyphasic sleep. O nome sugere que todo homem terá condições de adota-lo. Em condições normais, eu não teria coragem de entrar numa dessa, mas meu horário de sono já estava tão bagunçado que pensei: Não vai mudar muita coisa, então posso tentar, a título de experiência. Registrei os primeiros dias dessa experiência num diário. Com a palavra, minha pessoa do passado:


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Everyman Polyphasic Sleep Journal


26/08/08: É uma e pouca da manhã. Faz algumas horas que decidi adotar o horário everyman de sono polifásico, por isso ainda estou acordado. Há alguns dias, eu me habituei a deitar meio tarde (em relação ao horário em que eu estava acostumado antigamente): onze horas, meia-noite, etc. Mas hoje eu quero me manter acordado até as 3h30min da manhã. Vou dormir de 3h30min às 6h30min e dar três cochilos de 20 minutos cada, nos seguintes horários: 12h30min-12h50min, 17h30min-17h50min e 22h30min-22h50min. O plano é manter essa rotina por alguns meses (ou anos), o que, se der certo, vai me poupar um bom tempo, que eu preciso para estudar. Vou ter duas provas daqui a nove dias, uma daqui a doze dias e mais duas daqui a treze dias; espero estar acostumado daqui pra lá. O meu medo é de esse negócio não dar certo, eu me atrapalhar todinho, não conseguir estudar direito e acabar me ferrando das provas. Vamos ver no que isso vai dar.

27/08/08: Não estou tão cansado quanto pensei que ficaria. O sono aparece mais ou menos na hora de dar o cochilo e, apesar de eu não conseguir dormir quase nada naqueles vinte minutos, quando eu saio da cama eu estou me sentindo melhor, com menos sono do que antes. No terceiro cochilo (22h30min-22h50min) eu acho que eu nem consegui pegar no sono. Eu parecia não estar relaxado o suficiente pra adormecer em um intervalo de tempo tão curto. Pode ter sido conseqüência eu ter feito exercícios físicos às seis e pouca da tarde. Os cachorros da vizinha também me atrapalharam, latindo. A sonolência que eu sinto, na maior parte do tempo, não é forte o bastante pra impedir que eu estude – ainda bem. Mas algumas vezes eu me sinto encabulado, principalmente quando está chegando a hora de dar um cochilo (até parece que meu corpo já “descobriu” o horário que eu estou pretendendo seguir). A hora em que me deu mais sono foi de 1h e pouca da manhã até às 3h30min, provavelmente por eu não ter conseguido cochilar às 22h30min.

28/08/08: Hoje pela manhã eu quase que não saía da cama. O sono que eu senti foi bem mais intenso do que o que eu havia sentido ontem, quando me levantei da cama, de manhã. Pelo jeito, o negócio está começando a ficar difícil agora. 

29/08/08: Agora o negócio tá muito difícil. Tenho sono fora de hora e quando deito, demoro pra adormecer. Sem falar que às vezes tem alguém fazendo barulho, cachorro latindo, pedreiro trabalhando, etc. As horas mais difíceis são depois do terceiro cochilo (às 10h e meia) e quando acordo (às 6h e meia).

31/08/08: Ontem eu não aproveitei direito alguns cochilos, então sobrou sono pra hoje. Não foi difícil adormecer nos dois primeiros cochilos. Eu não sei se eu podia ter feito isso, mas eu passei mais que 30min cochilando nas duas vezes em que deitei durante o dia (meio dia e fim da tarde); e eu não fui muito pontual, no terceiro cochilo. Tive medo que acontecesse como ontem e eu ficasse na cama sem conseguir dormir. Ainda sinto muito os efeitos da privação de sono. À tarde, na aula de Cálculo 2, eu estava quase dormindo.

01/09/08: Passei da hora de acordar, de manhã. O despertador estava desativado, por acidente. Terminei acordando dez e pouca da manhã. Achei ruim por um lado e bom por outro, pois estava com muito sono. Nesse dia eu fiquei quase certo que desistiria de adotar o sono polifásico, pelo menos até as próximas provas. Então não cochilei meio-dia, mas às 5h da tarde, senti sono e decidi deitar. Como dormi normalmente por meia hora, achei que meu corpo já tinha se acostumado a dormir nos horários em que eu tinha programado. Isso é bom! Passei a reconsiderar a possibilidade de continuar tentando me acostumar ao polifásico e foi isso o que eu fiz.

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Figura 3: Foto tirada em 27/08/2008, no meu quarto, em Recife, enquanto eu estudava de madrugada tentando me habituar ao sono polifásico.


Passei mais uns quatro dias tentando permanecer nessa rotina, mas depois desisti. Eu simplesmente acordava horas mais tarde do programado, sem entender porque não tinha escutado o despertador tocar. Será que eu me esqueci de programar o despertador? Será que ele tocou, eu acordei, desativei o despertador, voltei a dormir e depois não me lembrei disso? Será que eu desliguei o despertador sem sequer acordar? Não sei. Só sei que eu saí da rotina e não quis tentar novamente porque as provas na universidade começariam dentro de poucos dias.


Figura 4: Foto tirada em 13/09/2008. A essa altura, eu já tinha desistido do polifásico.


§4. Primeira prova de Física 1

Em 05/09/2008, saí de casa para fazer a primeira prova de Física 1 no semestre, que seria também a primeira prova como aluno do curso de matemática. Pouco antes das 10h, estava eu chegando à Área 2 e Edgar vindo na direção oposta.
– E a prova, como foi? – Ele pergunta
– Hã?! Prova?! Não era de 10h?
– Acabei de fazer a minha, olha aqui [Mostrou a prova dele.]

A prova havia sido da 8h às 10h. Eu achava que iria começar às 10h porque as aulas de Física 1 eram das 10h às 12h. Minha esperança era a coordenação da Área 2 aceitar meu pedido de chamada na Área 2. Se isso não acontecesse, eu ficaria com zero na nota da primeira unidade, o que me impediria de passar por média.


§5. Experiências com Pascal

Um dos exercícios de programação que eu inventei foi confirmar a existência de contra-exemplos para o teorema enunciado na figura abaixo.

Figura 5
Fiz um programa que recebia como entrada os pontos A₁, A₂, A₃, A₄ e dizia se o quadrilátero formado por eles satisfaz a condição S =  S₁ + S₂ + S₃ + S₄. No primeiro caso que eu testei, essa condição não foi verificada. No segundo caso, também não. E continuou não sendo verificada várias vezes. Mas depois eu percebi que eu deveria levar em conta, mas não estava considerando, a ordem em que eu entrava com os pontos (Fig. 6).


Figura 6: A ordem dos pontos é importante.

Corrigido esse erro, todos os quadriláteros que eu testei satisfizeram a condição  S =  S₁ + S₂ + S₃ + S₄. Então o teorema provavelmente é válido, e o contra-exemplo que eu achava que tinha encontrado meses atrás provavelmente não existe.

Ao longo do semestre eu tentei (e, muitas vezes, consegui) desenvolver programas para resolver outros problemas matemáticos, incluindo:
  • Dizer se um dado número inteiro é ou não um número perfeito (última modificação em 14/09/2008);
  • Integrar uma função polinomial num intervalo fechado [a,b] usando a regra de Simpson (última modificação em 15/09/2008);
  • Avaliar a quantidade divisores de cada número inteiro entre os inteiros a e b, informados pelo usuário: (última modificação em 15/09/2008). 
  • Resolver um sistema linear não-homogêneo por escalonamento da matriz aumentada, que tinha no máximo 100 linhas e 101 colunas: (última modificação em 16/09/2008);
  • Calcular o ponto do plano onde dois raios luminosos se cruzam após serem refletidos por uma parábola (última modificação em 08/10/2008);
  • Imprimir uma parábola usando caracteres no lugar de pontos: (última modificação em 10/10/2008).
  • Calcular o valor esperado do prêmio de um jogador do programa Topa ou não Topa, em tempo real, durante a transmissão (última modificação em 05/12/2008).


§6. Reflexão na parábola

Nota matemática #6 - Reflexão na Parábola


§7. Químicas

Química 1 era tranquilo; para tirar boas notas, bastava ler o livro e fazer alguns exercícios, sem estresse. Mas Química 2... caso você não tenha uma boa dose de interesse, disposição e conhecimentos prévios para lidar com mecânica quântica, é melhor pensar duas vezes antes de se matricular nessa cadeira. Se Gabriel tivesse me dado esse conselho, eu provavelmente não teria me matriculado nela (Química 2 também era eletiva).

Nas primeiras provas, tirei 10 em Química 1 e 8,5 em Química 2. Na segunda unidade, relaxei um pouco com Q1 e o assunto de Q2 ficou bem mais difícil. Do dia 13 ao dia 14 de outubro, pela primeira vez, passei uma madrugada toda ou quase toda estudando (química). Em 14/10/2008, fiz as segundas provas de Q1 e Q2; tirei 3,0 nas duas. Isso me deixou numa situação bem complicada: nas próximas provas, precisaria tirar 8,0 em Q1 e 9,5 em Q2 para passar por média. As provas da terceira unidade de ambas as disciplinas seriam dia 25/11/2008. Só comecei a estudar sério mesmo cerca de uma semana antes. Dormia pouco, tomava café (não tenho esse hábito), passava o dia sentado, estudando, às vezes no meu quarto, às vezes na universidade, quando enjoava de ficar num lugar, ia para outro.

Figura 7: Eu, na biblioteca, em 21/11/2008

No fim de semana que antecedeu o dia das provas, saí para estudar no laguinho da UFPE. Levei o mp5 do meu irmão para ouvir músicas e tirar fotos.

Figura 8: Pista de Cooper da UFPE.
Figura 9: Ainda na pista de Cooper.
Figura 10: Arredores do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA).
Figura 11: CCSA.
Figura 12: Indo para o laguinho da UFPE.
Figura 13: Riacho do Cavouco, mais conhecido como laguinho da UFPE.
Figura 14: Arredores do laguinho.
Figura 15: Laguinho por outro ângulo.
Figura 16: Ainda no laguinho.
Figura 17: Eu preocupado com as provas...
Figura 18: ... estudando química ...
Figura 19: ... como um bicho do mato.

Apesar da paisagem tranquilizadora, esses dias foram tensos. Não só esses, na laguinho, como todos daquela semana, antes das provas de química.

No dia das provas, cheguei cedinho à Área 2. A prova de Química 1 seria das 8h às 10h. Enquanto o portão não abria, eu estava revisando, com o livro na mão. Percebi que não tinha estudado suficiente determinado assunto (era alguma coisa com equilíbrios químicos), aí comecei a tentar entende-lo e memoriza-lo de última hora. Minutos depois, quando recebi a prova, olhei as questões, eram quatro, cada uma valendo 2,5 pontos: três eu sabia responder; a outra, era sobre o assunto que eu tinha acabado de estudar. Como eu precisava tirar 8,0, eu tinha que acertar quase todas as questões e, no mínimo, deixar uma pela metade. Fiz as três que eu sabia e comecei a pensar sobre a outra. Não estava conseguindo lembrar todos os detalhes de como responde-la. Pensei, pensei, pensei com calma, até que aos poucos, fui lembrando do que tinha lido no livro e entendendo o que era para fazer na questão. Eu lembro que nessa questão, a professora queria que escrevêssemos a resposta indicando a unidade de medida, mas eu estava preocupado com a coerência algébrica, pois era difícil trabalhar com as unidades de medida desde o início das contas, até o fim (até comentei isso com a professora). Então fiz os cálculos só com números e no final coloquei algo do tipo: "Resposta: Determinada grandeza vale X, em tais unidades de medida."

A prova de Química 2 começaria às 14h. Àquela hora, eu já estava exausto, acabado de sono. Olhei a primeira questão e pensei: isso eu sei fazer. Fui olhando as outras e fui fazendo, explicando tudo bem direitinho. Depois de ter feito todas, parei para revisar. Olhei aquela primeira questão novamente. Ela pedia para explicar determinado fenômeno de acordo com uma teoria X (digamos, teoria do campo cristalino), mas eu tinha explicado por outra teoria (digamos, teoria do campo ligante). Eu lembrava que o professor com quem tínhamos tido aula naquela terceira unidade (que não era o mesmo com quem tínhamos começado a ter as aulas de Q2) tinha dito que a teoria X não seria cobrada na prova, por isso eu não tinha lido sobre ela. Mas fato era que tinha caído uma questão envolvendo a bendita teoria X. Acabava aí minha esperança de passar por média em Química 2. Apaguei tudo que tinha feito na primeira questão; depois, fiz apenas uns esboços de diagramas de energia quase aleatórios, só para não dizer que deixei a questão em branco.

Pronto: mais uma vez, eu havia fracassado. Iria para a final de Química 2, e podia ir até para a de Química 1, também. Ainda faltava sair a nota de Cálculo 2, mas eu tinha tirado 9,0 nas duas primeiras provas e tinha me dado bem na terceira (faltava a nota sair). Em 27/11/2008, deitei à tarde para dar um cochilo. Quando me acordei, liguei o computador e fui ver se a nota de Cálculo 2 já tinha saído. No siga, quando você vai ver as notas, aparece a princípio só os nomes das disciplinas que você está cursando, assim:

Figura 20: As notas estão escondidas.

Aí para ver as notas de uma cadeira, você clica no "+" ao lado do nome dela e o site expande a tabela, mostrando as notas. Frequentemente, sem perceber, eu saio clicando em todos os "+", de cima a baixo, mesmo que eu só queira saber uma nota de uma disciplina, apenas. Não sei se foi isso o que eu comecei a fazer naquele dia; só sei que, sem perceber, eu me deparei com isto:

Figura 21: Resultado de Química 2.
Pensei: "Ah, não. Essas são as notas de Química 2. Eu quero ver as Cálculo 2. Vejamos... Cálculo 2... Pera aí, pera aí... Aprovado por média em Química 2?!". Após me certificar que eu não estava sonhando, senti um peso de 1ton sendo tirado de cima de mim. Que alívio! Aprovado por média em Química 2! Uma das explicações mais plausíveis para isso ter acontecido é que a questão que eu não fiz, na terceira prova, teria sido descartada pelo fato de terem avisado que não iria cair aquele assunto. Mas, assim... existem outras hipóteses (por exemplo, o professor pode ter ficado satisfeito com os meus diagramas quase aleatórios de energia).


§8. Ainda invicto

Em 28/11/2008, fiz a segunda chamada de Física 1. Foi tranquila.


Figura 22: Foto da Área 2, tirada no dia da segunda chamada de Física 1. O bloco das salas de aula fica atrás do fotógrafo, não dá para ver.

Àquela altura, eu já tinha sido aprovado por média em Álgebra Linear 1 e em Programação 1. Enfim, depois de ter passado quase três anos na universidade (incluindo um ano no CIn), eu podia dizer que sabia programar (ainda que numa linguagem meio inútil). Enquanto esperava saírem as notas de Física 1, Cálculo 2 e Química 1, fiquei organizando meus arquivos no computador, jogando sinuca pela internet e fazendo mais experiências com Pascal (Fig. 23).

Figura 23: Gráfico que fiz com Pascal, após ter estudado uma parte do livro adotado em Programação 1 que não foi cobrada nas provas.

A nota de Química 1 saiu provavelmente naquele fim de semana, talvez no domingo, dia 30. Tirei 10. Também fui aprovado por média em Cálculo 2 e Física 1. Minha média no primeiro período em matemática foi 7,985 e, meses depois, aumentou para 8,05, por causa das disciplinas da terceira fase, que entraram no histórico. Tudo certo! Missão cumprida, podia ir para Cupira descansar.



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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

[Retrospectiva da Graduação] Capítulo 5: 2008.1 (25/02/2008 – 03/08/2008)



Músicas:
1. Nothing But You - Paul Van Dyk;
2. Roxanne - The Police;
3. Voices inside My Head - The Police;
4. A Fifth of Beethoven - Walter Murphy & the Big Apple Band;
5. My Eyes Have Seen You - The Doors.


§1. A terceira etapa

Noventa pessoas foram aprovadas na segunda fase do vestibular para o bacharelado em matemática. Como o curso só tem 30 vagas por ano, pelo menos 60 desse total de candidatos seriam desclassificados (ou desistiriam) durante a terceira etapa. Nessa terceira fase, teríamos aulas e provas de duas disciplinas (Introdução à Matemática 1 e Introdução à Matemática 2) nas tardes de terça, quinta e sexta (cada dia com 2h de cada disciplina), durante todo o primeiro semestre letivo de 2008.

Figura 1:  Declaração de confirmação de participação na terceira etapa, que recebi no primeiro dia de aula (25/02/2008).

As aulas eram boazinhas para revisar assuntos de matemática básica e principalmente para ver a cara do pessoal, conhecer o povo que estudaria comigo em matemática. Gabriel e Gilson eu já conhecia pelo Orkut desde antes do vestibular. O resto eu fui conhecendo aos poucos.

Logo nos primeiros dias, Gabriel me disse que eu tinha tirado 10 na redação do vestibular, ele tinha visto minha nota na COVEST quando foi levar a documentação lá. Depois, Gilson me passou o link da página na internet onde tinha as notas e, de fato, eu tirei 10, tanto na redação como nas questões discursivas, ou seja, em toda a prova da segunda etapa. Fiquei bestinha.

O problema da terceira etapa era o tempo que se consumia assistindo às aulas. Eu ainda estava vinculado ao curso de ciência da computação, só para ir adiantando cadeiras do curso de matemática, e em 2008.1, tinha me matriculado em Álgebra 1 e Física Geral 3, cadeiras um tanto pesadas. Por outro lado, eu já tinha visto quase todos os assuntos da terceira fase no ensino médio ou na universidade, então eu não costumava prestar muita atenção naquelas aulas, ficava conversando ou estudando Álgebra, e quase não estudava para as provas de IM 1 e IM 2. Eu estudei um pouco para as provas da primeira unidade e não tirei boas notas. Na segunda unidade, eu não estudei e tirei notas melhores do que as da primeira. Aí eu vi que realmente não deveria estudar para aquilo.

Com o tempo, o pessoal foi desistindo, a sala foi ficando menos cheia... Acho que com um mês e meio de aula, só tinha uns 40 candidatos ativos, e olhe lá. Por essa época, eu estava sentindo falta de tempo para estudar Álgebra e Física 3, então mandei um e-mail para um dos professores pedindo permissão para faltar às aulas da terceira etapa. Ele disse:
"Acredito que não haja grande prejuizo, considerando que você de fato não assiste as aulas (quando presente, voce ou está lendo outra coisa ou conversando) e que não temos controle absoluto sobre a frequência (a frequência é para obrigar alunos que precisam assistir as aulas a de fato estarem presentes)."
Ele já sabia que eu estava um pouco mais adiantado, pagando cadeiras do terceiro período, etc., e foi também por isso que ele deixou eu faltar. A professora da outra disciplina da terceira etapa também me liberou.


§2. Álgebra 1 e Física 3

Em Física 3, apareciam umas integrais de superfície, coisa que eu nunca tinha visto em Cálculo; aí eu me assustei logo. Quando fui estudar para a primeira prova, fiz a reserva do livro na biblioteca mas não consegui pega-lo simplesmente porque a pessoa que estava com ele não queria devolve-lo (deve ter preferido pagar a multa). Tentei estudar por outros livros, mas não era a mesma coisa. Fiz a primeira prova tendo estudado muito pouco e me saí muito mal (tirei algo em torno de 3,5). Passei a estudar mais, minha segunda nota foi melhor, mas os assuntos foram ficando mais difíceis até que na terceira unidade, eu já estava pensando na possibilidade de faltar à prova. Eu queria passar por média, se eu visse que não teria condições, era melhor desistir. Terminei fazendo isso mesmo. Faltei à terceira prova e deixei essa cadeira para pagar depois, quando tivesse entrado em matemática.

Eu tinha começado a estudar álgebra abstrata (o conteúdo de Álgebra 1) por um livro bom (Contemporary Abstract Algebra, de Joseph Gallian), porém muito diferente do que estava sendo adotado pelo professor (Introdução à Álgebra, de Adilson Gonçalves). Mudava o enfoque e a ordem dos assuntos. Depois de certo tempo, quando vi que não tinha jeito, comecei a usar o Adilson. É um livrinho pequeno e chatinho, cheio de erros tipográficos (alguns já corrigidos nas edições mais recentes), abusos de linguagem e partes mal explicadas.

Na primeira prova de Álgebra 1, tirei 8,0. Fiquei mais do que satisfeito com essa nota, mas Jorge, um cara da física que ajudava o professor nas demonstrações mais difíceis, ficou meio triste por ter tirado 9,5. Na segunda prova, tirei 5,5: comecei a ficar preocupado. O assunto da terceira unidade era bastante difícil e o Adilson não ajudava muito. Tinha parágrafos introdutórios de capítulos do livro que eu levei dias para entender. Para assimilar o assunto da terceira prova, reescrevi e redemonstrei (detalhadamente) alguns teoremas em folhas de caderno que eu guardo até hoje (Fig. 2). Me esforcei para tirar 7,5, e até que não me saí muito mal, mas não deu para passar por média; consequentemente, Álgebra 1 era mais uma cadeira que eu não aproveitaria quando entrasse em matemática. Eu não estava com vontade de me preocupar com a final, queria ir para Cupira, então deixei ser reprovado em Álgebra 1, também.

Figura 2: Notas de álgebra, feitas por mim nas últimas semanas de 2008.1.
Figura 3: Eu em Cupira, 24/06/2008.


§3. Versões multidimensionais de fórmulas e teoremas da geometria plana

Durante as conversas com o povo da terceira fase (principalmente Gabriel, Diógenes e outros da turma do fundão), era comum propormos problemas matemáticos uns aos outros. Em uma dessas conversas, no final do período, eu me desviei um pouco do problema proposto e passei a me perguntar se o teorema de Pitágoras seria válido para um tetraedro ortogonal (como o da Fig. 3) se interpretássemos faces como lados e áreas como comprimentos.

Figura 4: Tetraedro ortogonal.

Chamando de a, b, c, d, respectivamente, as áreas das faces ABC, ABO, BCO, CAO, eu fiz umas continhas e vi que a² = b² + c² + d². Aí eu quis ir além: "Será que eu posso definir seno e cosseno de ângulos sólidos e usar esse conceito para enunciar uma espécie de lei dos senos e lei dos cossenos para tetraedros?", pensei. Não cheguei a uma conclusão sobre isso em 2008, porém anos mais tarde, eu retomaria essa questão (breve, no Cap. 9).

No início de julho, já em Cupira, de férias, generalizei para dimensões maiores a definição de volume de um tetraedro (Fig. 5), a fim de provar versões multidimensionais do teorema de Pitágoras. Mas as contas estavam ficando muito complicadas e dava a impressão que aquelas minhas genaralizações do teorema de Pitágoras não iriam valer para dimensões maiores que 3. Essa questão eu também retomaria anos depois (aguarde até o Cap. 9).
 Figura 5: Definição que dei, em agosto de 2008, para o "hipervolume" de um "hipertetraedro".


§4. A turma inicial do bacharelado em matemática

Em 10/07/2008, saiu o resultado extra-oficial da terceira etapa. Os aprovados foram:

DIOGENES UCHOA TAVARES
EDGAR CORREA DE AMORIM FILHO
SAULO MEDEIROS DE ARAUJO
MARCIO HENRIQUE AUGUSTO GOMES
RICARDO ERYTON SANTOS TORRES
JOAO ALVES SILVA JUNIOR (Eu)
GABRIEL GUIMARAES CARVALHO
KARLA POLYANA SILVA FALCAO
THIAGO SEPULVEDA SUZART
GUSTAVO FERREIRA DE OLIVEIRA
VINICIUS FRAGA CEOTTO
GILSON SIMOES FERREIRA JUNIOR
CARLOS VINICIUS DE LUNA CORDEIRO (Papel)
BRUNO VINICIUS ALVES DE ANDRADE (Bob)
TARDELLI FERREIRA DIAS
ELAINE DE ARAUJO FARIAS

Isso corresponde a 18% do total de aprovados na segunda fase do vestibular. E a tendência era essa turma diminuir mais um bocado nos anos seguintes.


§5. Últimos dias antes de entrar na matemática

A colação de grau de Odair ocorreu em 14/07/2008. Eu estava lá. (Fig. 7.)

Figura 6: Centro de Convenções no dia da formatura de Odair, antes de começarem as solenidades.
Figura 7: Eu na formatura de Odair.
Figura 8: Plaquinha da formatura de Odair (coloquei essa foto aqui só para mostrar a cara dele).

Foi a primeira vez que assisti a uma colação de grau da UFPE. A cerimônia tem um efeito de incentivar você a ter uma boa conduta acadêmica. E eu estava mesmo cansado de tanta bagunça no meu histórico. Sentia que aquele era o momento de começar de novo. Eu tinha uma folha em branco em minhas mãos. Queria fazer tudo direito, a partir de então: pagar uma quantidade boa de cadeiras por período e passar por média em todas elas.

Informações sobre as disciplinas, principalmente as do ciclo básico, eu já tinha. Já sabia quais livros utilizar, onde arrumar os livros (tinha todos os do ciclo básico na biblioteca), etc. Uma das cadeiras que eu iria pagar no primeiro período de matemática era Cálculo Diferencial e Integral 2. (Não tinha pago antes por falta de vagas.) Então peguei o volume 2 do Stewart para ir adiantando os assuntos. Deu para ver boa parte do conteúdo antes de começarem as aulas.

Na terceira semana de julho (provavelmente, no dia 19 ou 20), eu acessei o Siga e vi lá um aviso dizendo que eu não poderia me matricular em ciência da computação porque já tinha feito matrícula em outro curso (no caso, matemática). Mas eu podia, ainda, fazer matrícula vínculo em, ou trancar o curso de, ciência da computação, no período de modificação de matrícula. A diferença entre matrícula vínculo e trancamento é que na matrícula vínculo, o tempo da sua graduação continua sendo contado; no trancamento, o tempo não é contado, mas o número de semestres que você pode trancar é limitado.


Figura 9: Eu, no rigoroso inverno cupirense, adiantando os assuntos de Cálculo 2. Foto tirada em 20/07/2008.
Figura 10: Foto tirada em 24/07/2008. Contas.
Figura 11: Foto tirada em 28/07/2008, mostrando o meu quarto, em Cupira, a mesinha que eu às vezes levava para a garagem, e o vol. 2 do Stewart, sobre ela.



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