Músicas:
- In the Gallery - Dire Straits;
- Boobytrapping - David Holmes (trilha sonora de Onze Homens e um Segredo);
- Symphony No. 25 in G Minor, K. 183; 1st Movement - Mozart (trilha sonora de Amadeus);
- A Kaleidoscope of Mathematics - James Horner (trilha sonora de Uma Mente Brilhante).
§1. A gata do AP
Eu postei esse vídeo no YouTube em julho de 2007, mas ele deve ter sido gravado alguns meses antes. A gata que aparece nas imagens foi o único animal de estimação que eu tive em Recife durante todo o tempo de graduação. Quer dizer, quem cuidava dela era eu, Odair e uma senhora que morava no apartamento ao lado do nosso. De acordo com registros que coletei, em janeiro de 2007, nós já cuidávamos dela. Ela estava grávida de, se bem me lembro, sete filhotes. Algum tempo após o parto, minha vizinha doou a gata e os filhotes (pelo menos foi isso o que ela disse que fez).
§2. A decisão de mudar para matemática
Meu segundo período em ciência da computação começou no início de novembro (provavelmente, dia 6). O plano inicial era reverter o mal desempenho de 2006.1, botar o curso para frente, e estudar matemática nas horas vagas (como se eu fosse ter tempo).
As cadeiras que eu iria pagar eram as seguintes:
- Introdução à Programação;
- Estatística e Probabilidade para Computação;
- Lógica para Computação;
- Física para Computação;
- Introdução aos Sistemas Digitais.
No primeiro mês de aula, minha situação era estável. Parecia que eu tinha pegado o jeito. Mas, com o passar do tempo, as coisas foram meio que saindo do rumo. Os problemas começaram a aparecer mais seriamente depois do recesso de fim de ano (que durou de 23 de dezembro até 14 de janeiro). Muitas vezes eu ficava confuso sobre o que e como estudar, e então começava a ter aquela sensação de que eu não iria conseguir tirar boas notas nas provas.
Ao mesmo tempo, eu vivia pensando em matemática, sempre que podia (ou achava que podia) estudava Geometria Analítica e Cálculo, lia textos sobre matemática que eu encontrava na internet ou em livros populares, etc. Então, em 11/02/2007, eu disse: “Chega!”. Decidi que faria vestibular no fim do ano e que nos próximos períodos eu só cursaria disciplinas de matemática, até entrar no bacharelado em matemática e aproveitar a carga horária já cursada. Essa decisão foi tomada à noite, quando eu já estava deitado, pronto para dormir. Eu lembro que, quando comecei a pensar no assunto, não tive mais sono. Levantei, liguei o computador e fiquei lá por um tempo, fazendo planos.
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| Figura 1: Página da minha agenda 2007 correspondente ao dia em que decidi desistir de ciência da computação. |
Em 15/02/2007, comuniquei à minha mãe a decisão de mudar para a matemática. Mostrei a ela o livro 101 Careers in Mathematics, de Andrew Sterrett, que eu tinha pegado na biblioteca, para tentar convence-la de que matemática não é um negócio tão sem futuro quanto se falavam. Mesmo assim, a reação dela foi de muita preocupação.
§3. O colapso do período
Em fins de fevereiro, eu já tinha desistido de Física e de Sistemas Digitais. Minhas notas nessas duas cadeiras tinham sido ruins principalmente porque eu não tinha estudado (por desorganização ou desinformação) os assuntos mais importantes que cairiam nelas. Continuei tentando ser aprovado nas outras três disciplinas... até meados de março, quando a situação ficou preta e eu decidi não me preocupar mais com aquelas cadeiras, já que elas não iriam me servir no curso para o qual eu migraria. Mandei um e-mail de 4 páginas (sim, foi desnecessariamente grande) para o monitor de IP explicando a minha situação e avisando que eu talvez não apareceria mais nas aulas práticas de IP. Ele tentou me convencer a ir ao laboratório e deixar que ele me ajudasse, 1h por dia. Eu apareci lá só uma ou duas vezes, sabendo que não iria mudar muita coisa, e no final terminei desistindo de tudo mesmo.
A falta de motivação foi um fator crucial para a crise do período. Entre os outros, estão:
- Falta de habilidade em programação: Em IP, eu tinha ido mais longe do que no período passado, mas continuava muito inseguro. O que eu fazia era basicamente imitar exemplos feitos por outras pessoas. Exceto Física, todas as outras cadeiras pediam projetos envolvendo programação. Isso me quebrava.
- Falta de livros fáceis de ler ou dificuldade em ler os que não faltavam: Os livros indicados pelos professores continuavam sendo difíceis de arrumar na biblioteca, e muitos eram em inglês. Alguns assuntos eu tinha que estudar pelo computador (com internet desde as férias), coisa que eu não estava acostumado a fazer. Frequentemente eu me distraía com outras coisas (e.g., Orkut, MSN, programas editores de partituras, etc.) e terminava não estudando. A vantagem era que, quando precisava ler alguma coisa em inglês no computador, eu podia usar algum programa tradutor ao invés de ficar procurando palavrinha por palavrinha no dicionário. Em um final de semana, eu li (traduzindo) 50 páginas de uma versão eletrônica do livro adotado em IP. Foi assim que, devagarzinho, eu fui aumentando meu vocabulário e ganhando prática na leitura de textos em inglês.
- Falta de uma empregada: No apartamento onde eu morava, todas as tarefas domésticas eram divididas entre Odair e eu: ele limpava o piso e eu tirava o lixo, ele cozinhava e eu lavava os pratos, as vasilhas e as panelas. Além do tempo que gastávamos fazendo essas coisas, tínhamos que voltar para casa no horário de almoço, e de vez em quando passávamos horas discutindo, reclamando um com o outro por serviços não realizadas ou mal feitos.
- Falta de noção de perigo: Eu estava pagando cinco cadeiras pesadas, cuidava da casa, estudava matemática nas horas vagas e ainda perdia tempo com besteiras, no computador. Parece que eu ainda não tinha noção da quantidade de tempo que deveria reservar para estudo dos assuntos que me eram cobrados na universidade.
§4. Livre para estudar matemática
Passei o restante do mês de março estudando Cálculo, pensando em quais assuntos revisar para o vestibular 2008 e planejando a minha vida. Em 04/04/2007, solicitei, na secretaria de graduação, a matrícula em Geometria Analítica, Física Geral 1 e Grafos e Algoritmos. No dia seguinte, fui a Cupira, onde ficaria até o reinício das aulas.
Durante as férias (que iriam até 24/04/2007), estudei principalmente cálculo e teoria dos grafos, sem pressa e sem preocupação. A introdução do livro Introduction to Graph Theory (de Richard J. Trudeau), lida por mim naquele tempo, ajudou a moldar a visão formalista da matemática que, de certa forma, tenho até hoje.
Comecei a usar o Word 2007 (que tem editor de equações) para escrever matemática: fazia resumos, notas, completava (ou complicava) demonstrações, etc. O uso desse programa facilitou enormemente os meus estudos independentes em matemática: além de ser bem mais prático digitar e deletar ao invés de escrever com lápis e apagar com borracha, o recurso ctrl+c/ctrl+v reaproveita partes já digitadas e permite que você reorganize o texto sempre que necessário, trocando a ordem de trechos, inserindo fragmentos no meio de outros, etc.
A Fig. 2 mostra parte de uma prova que eu fiz, naquele tempo, para um lema do teorema da teoria dos grafos que diz que a soma dos graus dos vértices é duas vezes o número de arestas. Na demonstração desse teorema, eu deveria utilizar os lemas já provados junto com o chamado princípio da inclusão-exclusão, que daria origem a outras investigações.
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| Figura 2: Trecho de uma das minhas primeiras demonstrações feitas no Word 2007. |
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Prefácio
Capítulo 1


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